O Vale do Capão é um povoado pertencente à cidade de Palmeiras (a 20 Km da sede), na Chapada Diamantina. Quem vem de Salvador ou Feira de Santana em direção a Lençóis precisa andar mais um pouquinho pela BR 242 até achar a entrada de Palmeiras. Nada que um GPS não resolva.
O lugar é bastante atraente, como muitos da Chapada, com suas serras e cachoeiras que não acabam mais. Uma vez lá, será mais fácil encontrar paulistas, cariocas, sulistas, espanhóis, americanos, franceses, alemães, hindus, árabes, ucranianos, neo-zelandeses e zirconianos (nessa respectiva ordem) do que baianos. É que todos os remanescentes do movimento hippie, os desiludidos da vida, eremitas e reprovados das escolas de arte de todo o mundo vão ao Capão para ter uma vida roots, criando arte alternativa em contato com a natureza, com fontes inesgotáveis de água mineral, palmito de jaca e maconha. O Capão é a reserva ecológica mundial de rastafaris em processo de extinção, e somente lá você terá a oportunidade de presenciar performances brilhantes de homens barbudos vestidos de tanguinha de tigre correndo em círculos com tochas de fogo nas mãos, bradando o significado transcendental da arte.
Para a nossa total segurança, tiramos esta foto presos a cabos de aço transparentes
No primeiro dia, decidimos ir à Cachoeira da Fumaça. O caminho é uma trilha aberta na montanha, com cerca de 40 a 60 minutos de subida pesada (estejam em dia com seu cardiologista — ou com seu agente funerário) e mais uma hora de terreno praticamente plano. Lá, uma queda livre de 360m, onde, quando o rio não está muito cheio, a corrente de água desvanece no meio do ar por causa da força do vento. O espetáculo é fantástico, porém não pudemos ver devido à escassez de chuvas no período. Para ver a queda d’água é preciso deitar-se e arrastar-se até a borda do penhasco, pois o local tem muitos ventos maldosos...Diálogos registrados no local:
Garota — Poxa, é aqui que quando está caindo água, o vento faz a água parar no meio do ar, não é?
Eu — É verdade, sem contar quando o vento faz a cachoeira correr ao contrário. Isso só acontece aqui na Fumaça e quando o Shiryu dos Cavaleiros do Zodíaco dá seu golpe Cólera do Dragão nas Cataratas de Rozan, em nenhum lugar mais.
Tia de 75 quilos subindo a montanha ao meio-dia — Falta muito, meu filho?
Eu, já na volta — Não, tia, coragem! Só falta agora a Ladeira da Angina e a Subida do Infarto, depois disso a senhora chega na cachoeira!
Later on the day... Estivemos na Cachoeira do Riachinho, a cerca de 4 Km do centro da vila, um lugar ótimo para um banho e natação. Na ida, demos carona a duas americanas, Andrea e Serena, amores de pessoa, que estranharam a miudez dos biquínis das mulheres e a falta de pêlos nos peitos masculinos anabolizados.
"Finja que não está olhando agora: eu fico com o mais alto, você com o outro"
Não perca, na próxima parte: a Cachoeira da Purificação e a crise mundial do abastecimento caponês de maconha.

2 comentários:
Palmito de jaca?Como assim?
Coisas inexplicáveis do Vale do Capão.
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